Tuesday, November 08, 2005
Interzone 2004 – The Complete Reference

 

A 27 de Julho de 2004 “nasceu” o blog Interzone.

 

Neste primeiro ano comecei a partilhar o que lia, o que ouvia, o que via, o que sentia….

Este post pretende ser um resumo do final de 2004.

 

 

Ler...

Brian Aldiss                          - Vida Esquecida – 11 de Novembro

Brian Aldiss                          - Relatório Sobre a Probabilidade A – 15 de Novembro; 16 de Novembro

Brian Aldiss                          - Ruínas – 8 de Dezembro

Daniel Mason                       - O Afiador de Pianos – 4 de Outubro

Edgar P. Jacobs                    - Blake e Mortimer – 6 de Novembro

Hugo Pratt                             - Corto Maltese – 20 de Setembro; 21 de Setembro

Hugo Pratt                             - Corto Maltese – Sob o Signo de Capricórnio – 11 de Outubro

Hugo Pratt                             - Corto Maltese – As Célticas – 25 de Outubro

Hugo Pratt                             - Corto Maltese – Mu20 de Dezembro

Irvine Welsh                         - Cola – 26 de Setembro; 28 de Setembro; 9 de Outubro

Irvine Welsh                         - Trainspotting – 2 de Outubro

J. G. Ballard                           - Gente do Milénio - 21 de Agosto; 31 de Agosto

Louise Erdrich                      - A Rainha da Beterraba1 de Novembro; 1 de Dezembro

Philip K. Dick                        - À Espera do Ano Passado – 14 de Novembro

Ray Bradbury                       - Fahrenheit 45112 de Dezembro; 17 de Dezembro

William Burroughs               - Naked Lunch3 de Agosto; 15 de Agosto

William Burroughs               - Junky – 8 de Agosto



Ver...

Danny Boyle                         - Trainspotting 18 de Outubro; 19 de Outubro; 21 de Outubro; 27 de Outubro; 28 de Outubro

David Cronenberg               - Naked Lunch – 4 de Agosto; 5 de Agosto; 9 de Agosto; 11 de Agosto; 12 de Agosto

David Cronenberg               - Crash – 9 de Setembro; 12 de Setembro; 14 de Setembro; 18 Setembro

Enki Bilal                                - Imortal 5 de Dezembro

Hayao Miyazaki                   - Conan, o Rapaz do Futuro – 2 de Novembro; 4 de Novembro

Tery Gilliam                           - Brazil 27 de Dezembro; 28 de Dezembro; 30 de Dezembro


 


Ouvir...

Aimee Mann1 de Outubro

Air – 26 de Novembro; 28 de Novembro

Almadrava – 10 de Setembro

Alpinestars26 de Dezembro

Andain – 12 de Novembro

Bent – 16 de Setembro

Dave’s True Story – 15 de Outubro

J. P. Juice – 24 de Setembro

Laura Branigan3 de Setembro

Lhasa de Sela16 de Dezembro

Morcheeba – 7 de Outubro

Post Industrial Boys – 3 de Dezembro

Radiohead – 10 de Novembro

Scissor Sisters29 de Dezembro

Sheila Chandra – 10 de Dezembro

Snow Patrol – 5 de Novembro; 14 de Dezembro

Superpulse – 23 de Outubro

Tubeway Army (Gary Numan) – 25 de Agosto

Thievery Corporation27 de Agosto; 12 de Outubro; 13 de Agosto

Wiemer – 29 de Outubro

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Thursday, November 03, 2005
PowerPlay da semana - Ben Onono

Algumas reclamações… Pouca musica em francês

È um facto… que vai ser desde já corrigido!

 

Ben Onono é uma presença habitual em qualquer bar com boa música ambiente, coisa que é algo difícil de encontrar na grande Lisboa, principalmente em Carcavelos Beach L

Este cantor Inglês/Nigeriano por vezes comparado com Finley Quaye ou Sade, presenta-nos com um som bem Jazzy Lounge.

A ouvir…

 

"I see myself as a storyteller more than just a singer. I don't only write love songs, I write about life experiences. Growing up, my favourite musicians always did that - their insight took me away to other places. I hope my music, each of my songs, does the same."

 

 

Ben Onono - Tatouage Blue

si elle le suit, il la fuit
si elle le fuit, il la suit
c'est ainsi, c'est inscrit
fait d'amour et de cris

je n'essaie pas de dire que j'avais raison
je n'admettrai pas que j'avais tort
tu cherches à me fuir, à tort ou à raison
je t'aime encore

les sangs se glacent, mais la peur y est
c'est la même menace, jamais la pensée

et ce tatouage bleu témoigne de nos amours
et ce tatouage bleu est sur nos coeurs pour toujours
nous sommes liés à jamais
nous sommes liés à jamais

séparation des biens, mais résistance des corps
pourtant moi je sais bien qui s'aime encore

à quoi bon te retenir au sein de nos prisons
puisque j'irai là ou te conduit le sort
tu cherches à me fuir, à tort ou à raison
je t'aime encore

le feu résiste, les souvenirs aussi
cette exquise esquisse lie à jamais nos vies

et ce tatouage bleu témoigne de nos amours
et ce tatouage bleu est sur nos coeurs pour toujours

je t'ai donné ma vie, j'ai marché sur du verre
j'ai quitté mon pays pour ton univers

et ce tatouage bleu témoigne de nos amours
et ce tatouage bleu est sur nos corps pour toujours
et ce tatouage bleu témoigne de nos amours
nous sommes liés à jamais
nous sommes liés à jamais

quelque chose les lie, ça se lit dans leurs yeux
jusqu'à l'infini de leurs tatouages bleus

Posted at 10:35 pm by Lights
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Wednesday, November 02, 2005
A ler.... Kazuo Ishiguro - Nunca me deixes

Chamo-me Kathy H. Tenho 31 anos e trabalho há mais de onze como ajudante. Parece muito tempo, bem sei, mas a verdade é que me pediram que continuasse por mais oito meses, até ao final deste ano. Completarei assim doze anos de trabalho. O facto de ser ajudante há tanto tempo não significa necessariamente que me consideram uma profissional excelente. (…)

Os dadores a meu cargo sempre se saíram melhores do que o esperado (…)

Houve momentos em que tentei esquecer Hailsham, em que me censurei a mim própria por estar sempre a relembrar o passado. Mas, a partir de certa altura, deixei simplesmente de resistir a esta tentação. Esta mudança de atitude teve a ver com um dador de quem cuidei no meu terceiro ano de trabalho; teve a ver com a reacção dele quando lhe disse que tinha sido educada em Hailsham. Ele acabara de passar pela sua terceira doação; as coisas não tinham corrido bem, e ele devia pressentir que estava perto do fim (….).

 

Começa assim o último livro de Kazuo Ishiguro, chamado “Nunca me deixes”.

 

Já vencedor do Booker de 1989 com Os Despojos do Dia (editado também pela Gradiva) e quase com o Quando Éramos Órfãos (nomeado para o Booker de 2000), este livro estava na “short list” para vencer o Booker deste ano, premio que como sabem foi para John Banville com o seu livro “The Sea”.


Booker 2005 shortlist:
"The Sea", John Banville
"Arthur & George", Julian Barnes
"A Long Long Way", Sebastian Barry
"Never Let Me Go", Kazuo Ishiguro
"The Accidental", Ali Smith
"On Beauty", Zadie Smith


 

Vou a meio do livro, sem saber qual o seu final… mas também não o iria contar.

 

Kazuo descreve-nos a história de Kathy. Primeiro em Hailsham onde passa a sua “infância” e depois na vida “exterior”.

Talvez o que mais me prendeu até agora foi a descrição que Kathy faz da sua vida, num local perfeito, onde os tutores proporcionam um ambiente excelente para todos crescerem em harmonia. Kathy e os outros adolescentes vivem num mudo perfeito e toda a descrição, todas as historias que se passam são de alguma maneira tocantes.

Kazuo, de uma maneira magistral, baralha este quadro perfeito com referências de Kathy às doações. Ruth, por exemplo, é a melhor amiga e morre muito mais à frente não conseguindo resistir a uma doação.

As referências do que vai acontecer no futuro às personagens que nós aprendemos a conhecer e a gostar; e o facto de eles saberem que vão ser doadores e o estarem perfeitamente conformados torna o livro algo incomodativo.

 

Para terminar esta primeira impressão sobre “Nunca me deixes”, lembro um filme muito criticado pelos críticos “da praça”: A Ilha. Com uma base comum, talvez seja um bom complemento ao livro. A ver, sem complexos.

 

 

 


Kazuo Ishiguro foi elogiado no Sunday Times por «ampliar as possibilidades da ficção». Em Nunca Me Deixes, que se encontra certamente entre as suas melhores obras, conta-nos uma extraordinária história de amor, perda e verdades escondidas.

Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?

Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado.

Nunca Me Deixes é um romance profundamente comovedor, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana.

KAZUO ISHIGURO é autor de cinco outros romances, três dos quais editados pela Gradiva — Os Despojos do Dia (1989, vencedor do Booker Prize), Os Inconsoláveis (1995, vencedor do Cheltenham Prize) e Quando Éramos Órfãos (2000, nomeado para o Booker). Em 1995 foi feito OBE (Oficial da Ordem do Império Britânico) por serviços prestados à literatura e em 1998 recebeu a condecoração de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.Site Gradiva

Posted at 10:25 pm by Lights
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Friday, October 28, 2005
Solidão!


Não: uma torre se faça do meu peito

e eu próprio seja posto à sua beira:

onde nada mais há, haja inda uma vez dores

e inefabilidade, mais uma vez mundo.

 

Mais uma coisa só no desmedido,

que se faz escura e de novo se ilumina,

mais uma última, ansiosa face,

repelida para o nunca-acamável,

 

mais uma extrema face de pedra,

dócil aos seus pesos interiores,

que as amplidões, que serenamente a aniquilam,

obrigam a ser sempre mais feliz.

 

Rainer Marie Rilke


 

Retirado do livro "Poemas   As Elegias de Duíno    Sonetos A Orfeu”, edições ASA, o poema Solidão, traduzido por Paulo Quintela.

Espero que também gostem….

Posted at 12:00 am by Lights
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Thursday, October 27, 2005
Revista Atlântico - A impunidade angélica do marxismo e a realidade paralela vivida na Europa


Começa a ser hábito falar no melhor acontecimento jornalístico de 2005: A revista Atlântico.

 

No número de Outubro, entre diversos interessantes artigos, Henrique Raposo fala-nos sobre a persistência do marxismo após a queda do muro.

Interessante artigo do qual aqui destaco parte e cuja leitura integral aconselho no site ou na própria revista… revista esta que, sem qualquer duvida, se torna uma das leituras obrigatórias do mês.



» A IMPUNIDADE ANGÉLICA DO MARXISMO E A REALIDADE PARALELA VIVIDA NA EUROPA

Henrique Raposo

 

 

Na Europa, volta e meia, alguém compara Bush com Hitler. Estas declarações não são acasos. São, isso sim, a ponta de um iceberg. Constituem manifestações radicais de algo pouco salientado: a persistência do marxismo após a queda do muro. E esta persistência contranatura é uma das bases da ilusão vivida na Europa; é uma das causas para a difícil “emergência do real”, ou seja, é uma das causas para o virar de costas europeu ao mundo global.

 

 

A interpretação cínica da História […]

surge hoje como sucessora directa da interpretação marxista.

Karl Popper

   

 

Nos últimos anos, Bush tem sido comparado com Hitler. Uma aberração. E a situação deixa de ser aberrante e passa a ser preocupante quando essas comparações vêm de países Centrais, como a Alemanha. A situação deixa de ser preocupante e passa a ser chocante quando se percebe que tem fins eleitorais. Recorde-se a campanha eleitoral de 2002, na Alemanha: a ministra da Justiça, Herta Däubler-Gmelin, comparou os métodos de Bush com os de Hitler. Gmelin é o símbolo de um certo ar do tempo que gosta de andar no fio da navalha; existe aqui uma tentação pelo risco, pelo abismo. Porque repare-se: é na Alemanha de Däubler-Gmelin que a América ainda tem milhares de soldados. E basta que a dita América retire esses soldados para que esta Europa impluda sem remissão.

 

Mas o que é ainda mais aberrante, preocupante ou chocante não é a mera existência das declarações. O que é realmente desesperante é o silêncio crítico. Tirando uma ou outra indignação isolada, declarações desta índole passam incólumes. São branqueadas, esquecidas e/ou risonhamente aceites. Como se fosse normal comparar a maior besta humana com a presidência da mais antiga democracia do mundo. E, mais grave, como se não existissem consequências para a estabilidade da aliança transatlântica e, por arrastamento, para a segurança da… própria Europa. As pessoas julgam que estão a ser impertinentes. Acham engraçado o cinismo que se lança sobre Washington. Estão tão ciosas desse cinismo ideológico que não percebem que estão a contribuir para a corrosão do mais importante laço estratégico da política mundial. (Ou será que estão conscientes do risco e é precisamente isso que querem?) Afinal, o que se passa aqui? Ninguém acha isto estranho? Por que razão ninguém tenta perceber o porquê das declarações e, acima de tudo, o silêncio acrítico da maioria? Este artigo procura perceber a mentalidade que está na base desta estranha atitude. É que dada a frequência de afirmações e insinuações deste tipo, só podemos concluir que não são acasos. Há aqui um padrão ideológico.

 

Em nosso entender, as declarações de uma minoria draconiana e o silêncio da maioria conivente são reflexos do seguinte: um processo de separação da Europa em relação à realidade global. A Europa como que se desligou da realidade mundial. Recusa-se a aceitar a inevitabilidade e a vitalidade da globalização. A política americana pós-11 de Setembro teve o efeito de reforçar a dimensão da política global (daí o ódio visceral lançado sobre Bush). E não estamos a falar do terrorismo. É certo que a Europa ainda não despertou a 100 por cento para um mundo de novas ameaças, ou seja, ainda não percebeu que o terrorismo islamita declarou guerra ao mundo ocidental. Mas, aqui, não estamos a falar disso. Não estamos a falar de ameaças, mas da própria estrutura do sistema internacional. A incompreensão ou a recusa da globalização pode conduzir a uma má colocação da Europa no sistema internacional de Estados. A Europa simplesmente parece não saber jogar no tabuleiro global. Por exemplo, os europeus ainda não perceberam que o centro de gravidade da política mundial está a desviar-se para a Ásia. E por que razão isto acontece? Por que razão a Europa está parcialmente cega em relação ao mundo de hoje? É o que tentaremos explicar nas páginas seguintes.


Pode continuar a ler o artigo no site da revista Atlântico

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Wednesday, October 26, 2005
PowerPlay da semana - Kosheen


Continuando com um som muito calmo, esta semana na Interzone “paira” o som de Kosheen.

Vindos de Bristol, Inglaterra, o trio inglês (cujo nome em japonês significa velho/novo) formado pelos produtores Decoder (Darren Beale), Substance (Mark Morrison) e pela vocalista Sian Evans é um dos principais marcos do drum’n’bass britânico.

Ouvir “Harder” é o exemplo perfeito da fusão entre o electrónico e o orgânico ;)

 



Kosheen's continued affinity with drum'n'bass remains a mystery. Their new single 'Harder' contains approximately eight seconds of drum'n'bass, slightly less than most Strokes songs. Instead, 'Harder' sounds like a flimsy balsa wood copy of Massive Attack's 'Unfinished Sympathy', but with singer Sian Evans reading out her old school reports. "I should have tried a little bit harder" she punishes herself, "Looking back I could have been smarter". But GCSEs wouldn't have helped 'Harder', a pleasantly pointless exercise in ornate dance-pop. On a drum'n'bass tip though, one positive thought for sad Sian: at least she's not Goldie.

André Paine

 

 

Kosheen - Harder


I should have treated you a bit warmer
Kept you over here in my corner
After all is said and done
You still got me on the run
A bit longer
Every day and night
I wish I had tried
A bit harder
I should try a little bit harder
I should try a little bit harder
Looking back
I could have been smarter
Maybe given time
We could get it together
I've got memories of our time
Playing over in my mind
I cannot forget
I wish I could make it right
Maybe if I could turn back time
We could have made it if I tried
If I tried
I should try a little bit harder
I should try a little bit harder
I couldn't meet with your demands
So much I couldn't understand
All the good things that we had
Slip like water through my hands
Was I blind that I didn't see
That you needed more from me
How much we had to try
We could make it if I try
I should try a little bit harder
I should try a little bit harder
I should try a little bit harder
I should try a little bit harder

 

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Tuesday, October 25, 2005
Tonino Benacquista - Malavita



Acabei de ler um livro verdadeiramente delirante: Malavita, do escritor francês Tonino Benacquista.

 

 

Editado entre nós pela Âmbar, Malavita (que é o nome de uma personagem que nos vai acompanhar durante todo o livro – uma cadela – e que vai ter uma intervenção muito importante na historia) fala-nos de uma família igual a tantas outras….

Ok… estou a mentir:

Ela não é igual a tantas outras!

- Maggie é a mãe

- Belle, a filha mais velha

- Warren, de 13 anos, já com jeito inato para a profissão do pai

- Fred, o pai… e… um “arrependido” mafioso que esta ao abrigo de um programa de protecção de testemunhas do FBI.

 

Passado numa pacata localidade na Normandia, a inserção desta afinal não muito normal família na cidadezinha francesa de Cholong-sur-Avre é uma história muito bem contada com momentos… únicos.

 

O resto?

Diga-mos que Dom Mimino, padrinho dos padrinhos da máfia italiana, encarcerado em Rykers Island, a prisão ao lago de Manhattan – Nova Iorque, mais concretamente no edifício James Thomas Center (em homenagem ao primeiro guarda afro-americano) e no bloco reservado aos seniors (penas que totalizassem no mínimo 250 anos), tinha alguma curiosidade em saber por onde andava o “bufo” que o levou à prisão para sempre.

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Monday, October 24, 2005
Sunrise - F. W. Murnau

“O mais belo filme do mundo”

François Truffaut

 

 

Sábado, dia 22 de Outubro fui ver algo muito especial: Aurora (Sunrise, no original) de Friedrich Wilhelm Plumpe, mais conhecido pelo pseudónimo Murnau.

Um filme maravilhoso. É sem dúvida, Murnau no seu melhor, a par de Nosferatu (do qual já aqui falamos).

 

Há “milagres”!

Este é um deles: como hoje em dia ainda se consegue ver filmes clássicos e mudos em salas comerciais, sem ter que depender de uma Cinemateca ou da visualização no ecrã de televisão/DVD (este, o meio a que cada vez mais estamos reduzidos).

A Costa do Castelo proporcionou-nos tal momento.

A não perder no Cinema Nimas, 14h30, 17h, 19h30 e 22h.

 


Contratado pela Fox, Murnau logo à sua chegada realizou, com o argumento de Carl Mayer adaptado da obra de Hermann Sudermann, A Viagem para Tilsit, o filme que com o titulo de Sunrise (Aurora), permanece como uma das obras cinematográficas mais inteligentes de que os Estados Unidos se podem orgulhar, de uma virtuosidade técnica digna de tão largos elogios como a interpretação de George  O’Brien, Janet Gaynor e Margaret Livingstone.

 



Recomendo, também, a leitura da crónica de João Bérnard da Costa publicada ontem no Jornal Público com o título: “Por falar em milagres”.

Bérnard da Costa fala-nos, como só ele sabe, de Murnau e seu Sunrise.

Termina assim o seu artigo:

Nosferatu é talvez o mais erótico filme que jamais se fez. Tabu é talvez o filme máximo sobre os interditos e os interstícios do desejo. Mas Sunrise é o único filme que pode servir de “compensação ao terror que a vida inspira” como dizia Henry Miller. Se ainda forem a tempo, vão ver o milagre absoluto acontecer neste filme de sombras e luz, que é talvez a mais bela historia de amor, morte e ressurreição que qualquer arte foi capaz de me dar.

 


Aurora

«Aurora» («Sunrise») é o primeiro filme americano de F. W. Murnau. Realizador muito reputado pelos seus filmes alemães, beneficiou de um orçamento considerável para este filme e do privilégio de escolher a sua equipa.
Oitenta anos passados ainda é considerada uma das mais belas obras da história do cinema.

O filme centra-se na história de um casal (Janet Gaynor / George O'Brien), cujo amor vai ser posto à prova pela emergência de uma terceira pessoa (neste caso a «mulher da cidade» interpretada por Margaret Livingston).
Seduzido por ela, um agricultor tenta afogar a sua mulher, mas desiste no último momento.
Quando a esposa foge para a cidade, ele segue-a, disposto a provar-lhe o seu amor. Depois de alguma resistência, a jovem decide perdoar-lhe, enquanto assistem a um casamento.

Refira-se como curiosidade que Janet Gaynor foi a primeira galardoada com o Oscar de Melhor Actriz, pelo seu papel de esposa neste filme, tendo o filme sido igualmente galardoado na categoria de Qualidade de Produção e Fotografia.
Do ponto de vista estilístico, «Sunrise» pode ser encarado como um objecto cinematográfico que tentava integrar e superar duas artes: o teatro e a pintura.
A obra de F. W. Murnau (1888-1931) é um território imenso, o que significa que de cada vez que se regressa a ela, as hipóteses de surpresa e deslumbramento são mais do que muitas.
Por essa razão, se está ou vive em Lisboa, vale a pena ir até ao Nimas assistir a este título-chave da história do cinema, e recordar um filme de génio que, no período mudo, ajudou a consolidar o cinema como linguagem e a impor o género melodramático.
Convém referir que esta exibição só foi possível graças à distribuição da Costa do Castelo, uma empresa que, sobretudo na área do DVD, continua a dar um contributo importante para a (re)descoberta de várias memórias cinematográficas.

Site Estreia Online

Posted at 07:42 pm by Lights
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Saturday, October 15, 2005
Tristan Egolf - O Senhor das Pocilgas



Quando vi o livro exposto em diversas livrarias, a capa chamou-me a atenção. O título era O Senhor das Pocilgas, o autor Tristan Egolf e a capa porcos sobrepostos uns nos outros… amontoados.

 


Comprei o livro mal saiu. Li-o de forma ávida, tal era a loucura da história.

 

No Suplemento Literário do jornal Publico – Mil Folhas – de 8 de Outubro, João Bonifácio fala deste livro. Aconselho a leitura do seu artigo. Infelizmente o Site do jornal Publico não disponibiliza o acesso ao conteúdo do Mil Folhas (só para assinantes).


Mas, voltando ao livro, 

Com uma escrita “diferente” pois as mais de 400 páginas do seu livro não contem uma única linha de diálogo, O Senhor das Pocilgas revela a história alucinante de um rapaz  (cujo pai morre num acidente.. que talvez não o tenha sido) que descobre em si um talento para a… pecuária. Com nove anos de idade John Kaltenbrunner começou a sua odisseia:

“Primeiro começou por estabelecer a sua base de operações no celeiro. Expurgou todos os cantos de ratazanas e gambas, depois limpou as prateleiras e armou uma bancada de trabalho para reparações. Arrumou todas as ferramentas que encontrou espalhadas desde os cantos do sótão às prateleiras da cave. Recolheu e inventariou velhos baldes de lata, solventes de limpeza com mais de vinte anos, latas de tinta, ancinhos do jardim, e uma miscelânea de alfaias agrícolas que tinhas sido deixadas ao abandono pelos anteriores donos”

Pág.36

 

Depois de um certo sucesso (com algumas crispações com a escola) neste seu trabalho, uma tempestade deita tudo a perder.. e começa o descalabro:

“Os problemas começaram com a morte de Isabelle.  Numa perspectiva geral, esse foi claramente o ponto em que tudo começou a descambar. Olhando para trás, dir-se-ia que, com a morte inesperada duma velha e execrável Suffolk de cascos quebradiços, se abriu de súbito um alçapão sob a propriedade dos Kaltenbrunner….”

Pág.78

 

A quinta fica um caos, a mãe muito doente e é alvo das metodistas:

“Por mais caridosas que as suas actividades possam parecer à primeira vista, há a outra face da moeda. A aversão crónica que John tinha pelas harpias pode ter sido alicerçada numa rejeição visceral. Pode muito bem ter sido. Mas também pode ter sido baseada nalguns factos importantes que foram relativamente bem preservados do publico. Tal como: desde o advento da primeira campanha de «socorristas», mais de dezoito milhões e meio de dólares em propriedades e seguros de vida foram reclamados pela First Methodist Church de Pullman Valley. A maioria dessas dávidas foram adquiridas – cedidas ao reverendo Terrence Withe – durante entrevistas de ética questionáveis tidas com doentes terminais à hora da morte….”

Pág.95


O resto?

A resistência contra as harpias, a prisão…. e o regresso… E que regresso!

 

Um livro do qual não nos conseguimos separar até chegarmos á página 465.

 


Espero pela publicação dos outros dois livros de Tristan Egolf, falecido este ano, com 33 anos.

 

Termino com palavras com que João Bonifácio termina, também, o seu artigo sobre Tristan Egolf :

Há uma forma de resumir tudo isto: Tristan Egolf foi – e apenas por este livro – bem mais que um cometa possuído por um momento de brilhantismo. Foi um “great american writer”.

Posted at 07:37 pm by Lights
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Thursday, October 13, 2005
PowerPlay da semana - Telepopmusik

Esteve no passado fim-de-semana, em Lisboa, Telepopmusik.

Lamentavelmente, não fui assistir a um concerto memorável (disse-me um amigo que assistiu).


 


Incluído no evento Cosmopolis, dia 8 de Outubro no Instituto de Agronomia, Telepopmusik apresentou o seu novo álbum Angel Milk, depois de conquistarem o mundo com o primeiro álbum "Genetic World", e especialmente com o single "Breathe". “Angel Milk” conta com as colaborações de Angela McCluskey e do rapper Mau (que já tinham participado em "Genetic World") e da cantora Deborah Anderson, conhecida pelos seus trabalhos com Mo Wax e DJ Shadow.


Telepopmusik-Breathe

I brought you something close to me,
Left for something you see though your here.
You haunt my dreams
There’s nothing to do but believe,
Just believe.
Just breathe.

Another day, just believe,
Another day, just breathe
Another day, just believe,
Another day. just breathe.

I’m used to it by now.
Another day, just believe.
Just breathe. just believe.
Just breathe.
Lying in my bed,
Another day, staring at the ceiling.

Just breathe. another day.
Another day, just believe.
Another day.
I’m used to it by now.
I’m used to it by now.
Just breathe. just believe.
Just breathe. just believe.
Just believe. just breathe.
Just believe.
Another day, just believe.
Another day.
Another day, just believe,
Another day, just breathe,
Another day (I do believe).
Another day(so hard to breathe)
Another day(not so hard to believe)
Another day. another day.

Posted at 10:05 pm by Lights
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