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Thursday, March 05, 2009
Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa - Volume I (1139-1521), de Saturnino Monteiro
No mau momento que Portugal atravessa, e nos quase festejos dos 100 anos da república, momento para lembrar outros tempos.
Tempos de glória, de façanhas heróicas, de orgulho em ser português.
Saturnino Monteiro, em diversos volumes, descreve as batalhas mais relevantes da Marinha de Portugal desde os primórdios da nossa identidade.
Leitura fácil, que rapidamente nos envolve nas aventuras de outros Portugueses... de outra fibra.

Diu - 3 de Fevereiro de 1509
A notícia da morte de D. Lourenço na batalha de Chaul fulminou D. Francisco de Almeida como se um raio tivesse caído a seus pés. Durante alguns dias encerrou-se nos seus aposentos sem querer ver nem falar com ninguém. Depois, voltou à sua vida normal, como se nada tivesse acontecido. Mas, por detrás do seu semblante impassível, percebia-se que ardia como um vulcão prestes a explodir, o desejo de vingança. «Quem comeu o frangão, há-de comer o galo ou pagá-lo!», terá dito. No entanto, nesse ano já nada havia a fazer, uma vez que a «monção» estava prestes a chegar. Vinda esta, foi aproveitando o tempo para carenar, sucessivamente, todos os navios que estavam em Cochim e prepará-los com vista às operações planeadas para o fim desse ano. Quando voltou o «bom tempo», a primeira coisa que o vice-rei fez foi mandar Pêro Barreto com uma armada de três naus, seis caravelas e duas galés bloquear Calicut, pois tinha informações de que o Samorim estava organizando uma armada para se ir juntar às de Mir-Hocem e de Meliqueaz. A verdade é que quando Pêro Barreto chegou a Calicut já os paraus do Samorim iam a caminho de Diu. No Outono de 1508, graças a um feliz acaso, chegaram à Índia duas armadas do Reino: a desse ano e a do ano anterior, que invernara em Moçambique. Por isso, não havia falta de homens, de armas e de todos os outros apetrechos que eram necessários para equipar convenientemente os navios destinados a ir combater os Rumes. Mas, antes de pensar na guerra era preciso tratar do negócio. E, até 20 de Novembro, D. Francisco de Almeida esteve retido em Cochim, superintendendo no carregamento das naus de torna-viagem. Nessa data seguiu para Cananor com nove naus, das quais duas eram de carga, e um bergantim. Despachadas as duas naus de carga para Lisboa, preparava-se o vice-rei para se ir juntar a Pêro Barreto quando aconteceu aquilo que ele mais temia: a 6 de Dezembro, Afonso de Albuquerque chegou a Cananor e requereu-lhe a entrega do governo da Índia! D. Francisco de Almeida encontrava-se numa situação dramática de conflito. Sabia que não tinha qualquer motivo válido para desobedecer às ordens do Rei. Mas não se resignava a deixar a Índia sem ter vingado por suas próprias mãos a morte do filho. Por fim, o sentimento paternal prevaleceu sobre o sentimento de disciplina. Invocando razões fúteis, recusou-se terminantemente a entregar o governo antes de dar combate aos Rumes. Na sequência deste incidente, prelúdio de outros muito mais graves que haveriam de ter lugar depois da batalha, Afonso de Albuquerque seguiu para Cochim e D. Francisco de Almeida, a 12 de Dezembro, largou com destino a Calicut. Junta a sua armada com a de Pêro Barreto e descontadas uma pequena nau e três caravelas que haviam de ficar no bloqueio de Calicut achou-se o Vice-Rei com os seguintes navios: cinco naus grandes, a Frol de la Mar, de João da Nova, em que ele próprio ia embarcado, a Belém, de Jorge de Melo Pereira, a Santo Espírito, de Nuno Vaz Pereira, a Taforea Grande, de Pêro Barreto de Magalhães, e a Rei Grande, de Francisco de Távora; quatro naus pequenas, a Taforea Pequena, de Garcia de Sousa, a Santo António, de Martim Coelho, a Rei Pequeno, de Manuel Teles Barreto, e a Andorinho, de D. António de Noronha; quatro caravelas redondas, capitaneadas, respectivamente, por António do Campo, Pêro Cão, Filipe Rodrigues e Rui Soares; as caravelas latinas de Álvaro Paçanha e Luís Preto; as galés de Paio Rodrigues de Sousa e Diogo Pires de Miranda; o bergantim de Simão Martins. Em conjunto, eram dezoito velas guarnecidas com cerca de mil e quinhentos portugueses e quatrocentos malabares de Cochim e Cananor. (...) Leia a continuação no Site da Associação Nacional de Cruzeiros ou, melhor ainda, no próprio livro.
Posted at 06:00 am by Lights
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