Confesso que me senti desiludido pois as expectativas eram bem diferentes. A irreverência dos livros anteriores de Irvine Welsh desapareceu, dando lugar ao “politicamente correcto”. É pena….
A história de Crime começa num voo para Miami. Nele viaja o detective escocês Ray Lennox acompanhado da noiva, Trudi. Enquanto Lennox tenta combater sucessivas vagas de pânico, ela lê, imperturbável, a Noiva Perfeita. Em busca de umas férias retemperadoras Flórida, vão também começar a preparar a festa do casamento, que se avizinha.
Lennox tem atrás de si uma cura de desintoxicação e o desfecho de uma investigação. Porém a imagem do pedófilo (entretanto capturado) e sobretudo da vítima, que não conseguira salvar, ensombram a sua existência.
A luminosidade e o calor impiedosos de Miami vão agravar o sofrimento do detective — um verdadeiro feixe de nervos e angústia — dilacerando-o ao ponto da ruptura com a namorada e da recaída na cocaína. Quando acorda da noite violenta que passou em casa das duas raparigas que conhecera no bar, vê-se a braços com uma tarefa surpreendente, mas talhada para si: resgatar uma criança de do poderoso ninho de pedofilia em que ele, Lennox, aterrara involuntariamente na véspera. Site Quetzal
Lançamento ASA: Blake & Mortimer - A Maldição dos Trinta Denários
A ASA continua "em cima" das edições francesas, editando este último álbum da famosa série Blake & Mortimer quase ao mesmo tempo da publicação original. Depois do "O Sanctuário de Gondwana" vem agora o nº19 desta série: A Maldição dos Trinta Denários. Este último livro tem a assinatura do incontornável Van Hamme com desenho de René Sterne e Chantal De Spiegeleer. Segue o press release da ASA:
Dia 20 de Novembro chega às livrarias a novidade da colecção BLAKE & MORTIMER. Símbolo mítico da Banda Desenhada de qualidade para o grande público, esta série, com o decorrer dos anos, tornou-se um best-seller incontestável. Intrigas policiais, arqueológicas ou científicas fazem destas aventuras um dos grandes clássicos da BD. Quem não se lembra de expressões como: "By Jove" ou "Goddam"? Oito anos após "O ESTRANHO ENCONTRO", Van Hamme, autor das séries XII e Thorgal, assina de novo um argumento de Blake & Mortimer, juntamente com René Sterne, falecido no decorrer deste trabalho e Chantal de Spielgeleer, autora da série "Madila" e que terminou os desenhos deixados pelo marido.
Mortimer foi convidado para se deslocar à Grécia para identificar uma espantosa descoberta arqueológica: os 30 denários de Judas. Amaldiçoadas, estas moedas seriam a manifestação física da cólera Divina! Se for parar a mãos corruptas, um tal artefacto conduzirá, certamente, à queda da Humanidade. E Olrik, precisamente, acaba de fugir da penitenciária de Jacksonville… Fantasma teológico ou realidade científica, o perigo é real!
Colecção: Blake & Mortimer Autores: Jean Van Hamme, René Sterne e Chantal De Spiegeleer Tiragem: 5000 exemplares cartonados (capa original)/1000 exemplares cartonados (capa Fnac)
Meridiano de Sangue ou o Crepúsculo Vermelho no Oeste de Cormac Mccarthy
Mais um excelente livro. O "Oeste selvagem" como deve ter sido na realidade, numa narrativa sem igual.
"Meridiano de Sangue" baseia-se em acontecimentos históricos ocorridos na fronteira entre os EUA e o México em meados do séc. XIX. O autor subverte as convenções do romance e a mitologia do «Oeste Selvagem» para narrar a violência da expansão americana, através da personagem do juiz Holden, que nunca dorme, gosta de dançar, viola crianças dos dois sexos e afirma que não há-de morrer.
Críticas de imprensa
"Meridiano de Sangue ou o Crepúculo Vermelho no Oeste é seguramente um dos melhores livros publicados este ano em Portugal e apesar de distarem quase duas décadas desde o seu lançamento (1985) pode afirmar-se que valeu a pena esperar por uma tradução (...)". Maria José Oliveira, in Mil Folhas (Público), 04 de Setembro de 2004
Continuo a minha peregrinação por Cormac McCarthy. «Meridiano de Sangue» é a história negra da expansão americana para Oeste, narrada através da deambulações de um grupo de caçadores de escalpes pela fronteira entre o México e os EUA . É, como seria de esperar, um romance de uma invulgar crueza. «Encontraram os batedores desaparecidos pendurados de cabeça para baixo dos ramos de uma árvore de paloverde enegrecida pelo fogo. Tinham os tendões dos calcanhares trespassados por espigões aguçados de madeira verde e pendiam, lívidos e nus, acima das cinzas frias das brasas onde tinham assado em fogo lento até às cabeças ficarem carbonizadas e os cérebros borbulharem dentro do crânio e o vapor lhes sair pelas narinas a sibilar. Viam-se-lhes as línguas puxadas para fora da boca e presas com paus afiados que as atravessavam de lado a lado e tinham as orelhas cortadas e os torsos rasgados com lascas de sílex até as entranhas lhes penderem sobre o peito.» Mas este Meridiano é também um tributo à grandeza desolada do Oeste Selvagem que, dir-se-ia, exerce sobre McCarthy o mesmo fascínio que um dia levou John Ford a fazer dela um personagem omnipresente da sua obra. «Desceram destas paragens por um fundo desfiladeiro,a trotar ruidosamente sobre os pedregulhos, cruzando hiatos de sombra fresca e azul. Na areia seca do leito do arroio havia velhos ossos e cacos de louça pintada e gravados nas rochas por cima deles pictogramas de cavalos e pumas e tartarugas e cavaleiros espanhóis de morrião e broquel, desdenhosos da rocha e do silêncio e do próprio tempo. Alojados em rachas e fissuras, cem pés mais acima, viam-se emaranhados de palha e pedaços de madeira trazidos pela água que em tempos chegara até ali e os cavaleiros ouviam o múrmurio do trovão na lonjura insondável e vigiavam a estreita língua de céu lá no alto em busca de quaisquer sombras prenunciadoras de chuva, calcorreando o espaço entre os flancos apertados da ravina, e as rochas secas e alvas do leito morto do rio eram curvas e macias como ovos misteriosos». E como se não bastasse, este romance de 85, consegue ainda ser um livro de uma espantosa sensibilidade que, na aridez violenta daquelas paragens, vai despontando de forma quase paradoxal, ora nas deliciosas prelecções nocturnas do Juiz Holden, ora na imensa fragilidade do herói sem nome em cujo rosto de menino «se pode ler o destino do homem». Decididamente este McCarthy é um caso sério. Pedro Norton - Geração de 60
Agora que já comprei os meus bilhetes posso anunciar a boa nova: AIR no Coliseu dos Recreios (Lisboa).
Há muito que Portugal se apaixonou pelos AIR, a dupla francesa que em 1998 editou "Moon Safari", com os singles "Kelly Watch The Star" e "Sexy Boy" a marcar o compasso de uma geração que descobria a french electrónica.
Jean-Benoît e Nicolas Godin vêm a Portugal apresentar o novo álbum, "Love 2", no Coliseu de Lisboa, dia 16 de Janeiro, três anos após a sua última passagem por Portugal, precisamente no Coliseu de Lisboa, integrados no elenco do memorável Dance Station.
Entre "Moon Safari" e "Love 2" os AIR editaram quatro discos, fizeram bandas sonoras para filmes tão importantes como "Virgens Suicídas" de Sofia Coppola e andaram em digressões que passaram pelo mundo inteiro.
COLISEU LISBOA (16 DE JANEIRO) ABERTURA DE PORTAS * 20H00 INÍCIO DO ESPECTÁCULO * 21H00
Através dos sussurros de um passado familiar -que remonta à URSS de Estaline -Matthews retrata a essência da vida humana.
A época soviética foi marcada pela violência, pela desumanização e pela tentativa de apagar a existência individual. Fosse através das deportações massivas para os gulag, de assassínios, da morte pela fome, das deslocações de povos inteiros ou da imposição do medo, o Estado, sob a égide de Estaline, fazia questão de governar pelo medo, e o seu sucesso era visível no silêncio das palavras que nem chegavam a ser pensadas. Um outro factor que marcou a época estalinista foi a ingenuidade.
Quando Bibikov, bolchevista convicto responsável por uma fábrica de tractores, é preso pelo NKVD (antecessora da KGB) no final de década de 30, a sua mulher Martha pensa que tudo não passa de engano. Mesmo se os vizinhos já tinham desaparecido nas semanas anteriores, restando apenas um selo da polícia secreta na porta. A purga paranóica de Estaline sobre os que julgava serem seus adversários chegara assim a mais duas pessoas, cuja história poderia ficar escondida no meio da de tantos outros milhões de soviéticos que se refugiaram na teoria do "engano" e da ilusão. A verdade era demasiado sórdida para ser aceite racionalmente.
Só que a história deste casal não caiu no esquecimento dos arquivos, e ainda bem. Bibikov e Martha, que seria enviada para o gulag, são os avós maternos do autor, Owen Matthews.
Jornalista de profissão, o autor utiliza toda a sua capacidade narrativa e interpretativa, aliada à investigação, para fazer uma viagem dentro de si próprio. E a forma como o faz, transportando-nos com ele, revela pelos olhos de três gerações o que foi a sociedade soviética desde os anos 30 até a actualidade.
No centro da viagem está uma história de amor, com todos os seus ingredientes de vida real: felicidade, dor, esperança, desespero, paixão e desilusão. E ao percorrermos as páginas de "Filhos de Estaline" surgem-nos na memória outros livros, como "Os Filhos da Rua Arbat" e "O Medo", de Anatoli Ribakov, "Life and Faith", o épico de Vasily Grossman, "O Império" de Kapuscinski ou o recente "The Whisperers", de Orlando Figes.
Quase todos eles constam da bibliografia de Matthews, que procura na memória escrita e oral os sussurros do seu passado. O autor é, mais do que um mero observador, um participante intermitente, quando nos relata, com pormenores de humor melancólico, a infância e adolescência da mãe, Lyudmila, e da tia, Lenina.
Órfãs de pai e mãe, são as crianças de Estaline, a quem agradecem pela "infância feliz" passada no meio da fome, da doença e dos orfanatos. Filha do Estado e de uma mulher com quem nunca mais se identificará, mesmo após a sua mãe ter saído do gulag, Lyudmila apaixona-se pelo pai de Matthews, um diplomata inglês apaixonado pelo mistério russo. Esse amor, separado pelo Estado soviético, tem tanto de sonho ideal como de cruel realidade, algo que o autor não esconde desde o início. Durante anos os dois tentam quebrar a cortina de ferro.
E, quando o conseguem, rapidamente percebem que não estavam de facto apaixonados um pelo outro. Lyudimila estava enamorada por um ideal de homem recortado dos romances, e o pai de Matthews, Mervyn, personagem ingénua e aventureira, estava obcecado pela honra de uma promessa de reencontro.
A insistência dará origem à vitória de um casamento, consumado pelo nascimento de Matthews e pela desilusão das expectativas. Quando se está apaixonado por um ideal criado na nossa própria cabeça dificilmente amamos a pessoa real que está ao nosso lado.
Quando Matthews percorre a rua Arbat, onde vivia a sua mãe, está a percorrer a sua vida enquanto correspondente da "Newsweek", mas não só. Os seus sapatos pisam os caminhos do passado que aprendeu a aceitar como seus, absorvendo assim os fantasmas.
Numa Rússia onde os indivíduos foram (e talvez ainda sejam) aglutinados em massas de milhões de seres humanos de modo a satisfazer os caprichos do Estado, este livro mostra-nos que no meio de todo o anonimato das massas e do silêncio houve também sussurros, e, mais do isso, houve também gritos individuais que não estavam sozinhos.
Independentemente do resultado final, o seu som já foi uma vitória.
No fundo, através da memória familiar e do seu próprio percurso pessoal, Matthews acaba por retratar a própria essência da vida humana, com todos os seus desvios e desapontamentos, mas sem perder de vista o sentimento de encanto de cada vida humana. Ípsilon
Não sendo um livro brilhante mas tendo em conta o actual marasmo da F&C editada em Portugal, é de ler. Fica a vontade de reler Cell....
A Gailivro lança em Setembro “Infecção”, de Scott Siegler, uma obra que mistura géneros como o terror, o thriller tecnológico e o suspense. Na América uma misteriosa doença está a transformar pessoas normais em assassinos delirantes e paranóicos, que cometem atrocidades brutais em estranhos, em si próprios e até mesmo nos seus familiares. Um operacional da CIA, Dew Phillips, cruza o país para tentar encontrar uma vítima viva. Entretanto, a epidemiologista do CDC, Margaret Montoya, corre contra o tempo para analisar as evidências científicas, descobrindo, através da análise de corpos em decomposição, que os assassinos têm algo em comum: foram contaminados por um parasita criado por bio-engenharia, cuja complexidade vai muito além dos limites da ciência. Por seu lado, Perry Dawsey, antiga estrela de futebol americano que agora trabalha num escritório, acorda uma manhã e descobre que tem várias tumefacções a crescerem-lhe no corpo. Em breve, dará consigo a agir e a pensar de forma estranha e a ouvir vozes… está infectado. O destino da Humanidade pode depender da guerra sangrenta que Perry terá de travar com o seu corpo. Scott Sigler é o autor de narrativas para podcasts mais bem sucedido do mundo e “Infecção” é a sua primeira grande publicação impressa. As suas publicações áudio, destinadas apenas a podcasts, originaram mais de três milhões downloads. Retirado do site Porta-Livros
Maria João Almeida faz o prefácio e Jorge Silva Melo situa-nos estas peças em Portugal, onde e quando foram representadas.
Três peças do melhor humor em que "A casa nova" se destaca, mas já o autor assim previa:
"Se não tivesse escrito senão esta única comédia, creio que ela só por si teria sido suficiente para proporcionar-me a reputação que conquistei com tantas outras. Lendo-a e relendo-a, parece-me não haver nela nada a reprovar-me e atrever-me-ia a propô-la como modelo, se pudesse acalentar a esperança de que as minhas obras fossem dignas de imitação.
A exposição é fácil, o comportamento simples, a crítica é verdadeira, o interesse é vivo, a moral é razoável e não pedante. As personagens são todas tiradas da realidade. O diálogo então não o pode ser mais. A fábula é verosímil em todas as suas partes e ainda quando aparece um duplo interesse, a acção é uma só, pois uma só pessoa, isto é, Cristofolo, é quem lhe dá o desfecho. Não se espante, caríssimo leitor, se faço o elogio da minha comédia. Eu não a comparo com as dos outros autores, mas com as minhas, e creio que me é lícito preferi-la a muitas outras e colocá-la no número das minhas predilectas. O público rendeu-me essa justiça quando foi representada e, não só em Veneza mas por toda a parte, foi aplaudida com igual fortuna." Carlo Goldoni